Artes

            MANDALA, do sânscrito, centro, círculo ou círculo mágico, é um instrumento de contemplação, meditação, concentração e relaxamento. Representa o mapa do cosmos, a projeção geométrica do mundo reduzida a uma amostra essencial, totalizante, o todo organizado de cujo centro flui a energia integradora.
            A Mandala é um objeto com função lúdica-terapêutica. Um jogo sensual sem objetivo explícito. Seus múltiplos movimentos estimulam a motricidade, enquanto revelam imagens da organização interior da pessoa, consciente ou inconscientemente. A Mandala abstrai do caótico mundo exterior, ao concentrar a imaginação num objeto que nada exige das habilidades intelectuais e que responde à ansiedade gerada pelo consumo e desperdício tecnológico com a sabedoria do singelo e original. As mandalas e sua composição fascinam pela magia de seus movimentos. São exemplos e símbolos destinados a exprimir as possibilidades infinitas do subconsciente humano.

          Originadas na Índia, porém foi no Tibet onde a mandala alcançou seu mais pleno e complexo desenvolvimento tanto artístico como ritual meditativo, enfatizando a integração cósmica. Richard Wilhelm, recopilador do livro "I Ching, o livro das mutações" estudou o papel das Mandalas nas diferentes culturas hindú, tibetana, budista, cristã (até princípios da idade média), esotéricas, etc. O psicólogo suíço Carl G. Jung aprofundou os estudos de Wilhelm, descobrindo que seus pacientes melhoravam ou se tranqüilizavam usando a Mandala. Antigamente os grandes mestres desenhavam Mandalas na terra e mais tarde em panos com complicados desenhos e cores, frente às quais meditavam seus discípulos, na procura do seu próprio caminho espiritual, sua iluminação ou nirvana.
Também era usada em processos de cura, com a pessoa no centro da Mandala.
            O casal José e Míriam Argüelles, que depois de Jung foram os maiores pesquisadores e estudiosos da Mandala, consideram que é um instrumento básico para a segunda e maior fase de crescimento do ser humano; aquela que inicia quando os fundamentos do crescimento físico "cessam" (aproximadamente aos 25 anos); quando começa o desenvolvimento e coordenação das capacidades mais intuitivas. Enfatizam que a meta é atingir com o seu uso, o maior grau de integração com o Todo e sentir o impulso em direção a Totalidade. Esse impulso, motivará seus pensamentos, passará para suas atividades e estará vivo em tudo que constrói. E aí um estágio sagrado de consciência será atingido no qual todos os seres e todas as coisas serão consideradas como emanações da Unidade Divina Total.


MANDALAS TIBETANAS DE 7 ELEMENTOS

Usadas há mais de 3.000 anos como elementos de contemplação e meditação.
Formadas por 7 elementos por ser o sete o número místico e mágico da cabala oriental. Indica a relação viva entre o divino (3 de Trindade) e o humano (4 elementos: água, ar, fogo e terra).
Os planos móveis podem ser Simples (4 planos), Duplas (6 planos) e Triplas (8 planos).
Os monges tibetanos usavam a Mandala para explicar através de suas formas, a formação do mundo, de acordo com sua filosofia budista tibetana.
1. Em sua primeira posição (fechada) representa o ÁTOMO, nascimento da matéria na imensidão do caos, do nada.

2. Levantando as partes móveis superiores, constrói-se o CÉU, uma cúpula cósmica suspensa em nossa cabeça. .
3. Baixando as partes móveis inferiores, forma-se o MAR, lugar originário da vida animal.
4. Puxando as duas semi-esferas formadas, temos o ovo cósmico ou TERRA. Constituído de várias espirais com uma pedra em cada uma, símbolo dos mundos em movimento no universo e dos átomos dentro da matéria.
5. Fechando e girando o setor central são formados os POLOS OPOSTOS. Criada a terra, o bem e o mal se dividem e distanciam criando a vida espiritual.
6. Ao abrir as partes superiores e inferiores móveis até a horizontal, se forma o FUTURO. Representa o símbolo dos monges tibetanos ou VAJRA e também o TAO ou trono da sabedoria budista.
7. Fechando a parte superior mais para baixo se forma a FLOR DE LOTUS, símbolo budista.
8. Fechando a parte inferior para cima, se obtém a figura do TAMBOR SAGRADO das cerimônias. Agitando o objeto ritmicamente se entoam mantras ou salmos religiosos.
9. Colocando os dedos no centro do circulo interior e puxando para fora, se volta a posição inicial (fechada).

MANDALAS TIBETANAS DE 13 ELEMENTOS
Tem a ver com o número 13 da boa ou má sorte, no Ocidente. Faz as mesmas formas e significados que a Mandala de 7 elementos. Os planos superiores e inferiores entram dentro formando a Mandala FLOR DE OURO que é a representação das cúpulas das catedrais góticas.
Podem ser Simples (4 planos), Duplas (6 planos) e Triplas (8 planos).

INSTRUÇÕES PARA O USO
Para o manejo correto utilize as pontas dos dedos polegares das duas mãos e observando o círculo que contém as bolinhas, na posição horizontal, movimente as partes móveis de maneira que o que fizer com a mão direita faça também com a esquerda simultaneamente; desta maneira estará ativando o uso das duas polaridades do cérebro que facilitará na vida cotidiana a utilizar não só capacidades racionais, lógicas, intelectuais e analíticas mais também as capacidades intuitivas, emocionais, criativas, imaginativas e sensoriais.
Quando os planos móveis entram dentro da Mandala, retire-os com ambos polegares empurrando para fora.

A INFLUÊNCIA DAS CORES NAS MIÇANGAS DA MANDALA.
A luz deu origem à vida e ao mundo da cor, no qual vivemos. Toda cor é composta por estilo e vibração possuindo propriedades e poderes químicos especiais. Observe as propriedades que serão ativadas no manejo da cor:

VERMELHO - Vitalidade.
 
Auto-confiança, firmeza, vida, coragem, força, conquista e auto-estima. Estimula a sensualidade.
AZUL - Harmonia.
 
Lealdade, confiança, amor, equilíbrio, compreensão e relaxamento. Acalma e diminui a ansiedade.
VERDE - Esperança.
 
Abundância, paz, cura e equilíbrio das emoções. Ativa o poder de cura, a jovialidade e regeneração.
DOURADO - Criatividade.
 
Poder, glória, riqueza e perfeição. Alivia as tensões, harmoniza os sentimentos, facilita o aprendizado, dá alegria e bem-estar.
ANIL - Sabedoria.
 
Imaginação, concentração, intuição, inspiração e discernimento.
LILÁS - Espiritualidade.
 
Devoção, intuição, contemplação, expansão da consciência e purificação da alma.
BRANCO/GELO - Pureza.
 
Transparência, alegria, paciência, luz e espiritualidade. Símbolo do espiritual, não-material e sobrenatural. Unidade da qual flui a multiplicidade.
PRETO - Filosofia.
  Retraimento, reflexão, lentidão, responsabilidade e prudência. Favorece ao ocultismo.

MANDALAS CHINESAS OU DO I CHING
Formadas por 6 arames maiores e 6 menores, representando as linhas, trigramas e hexagramas. Apesar de ter 6 lados suas formas são sempre triangulares, representando o Divino.
I. CHINESA REGULAR - Ao fechar forma um quadrado simbolizando o Humano.
II. CHINESA IRREGULAR - Nunca fecha, girando sempre.

MANDALA JAPONESA (caleidociclo)
Baseada na técnica de origami. Forma estrela de 5 pontas. A estrela é o símbolo universal da espiritualidade no Japão.

AMULETO DA SORTE
Mudando de forma a Mandala e mentalizando coisas desejadas, durante sete noites seguidas, você pode transformá-la num amuleto da sorte (estado de equilíbrio e harmonia que propicia a tudo que lhe é conveniente chegue ao seu alcance)
.

UTILIZAÇÃO DA MANDALA NA ÁREA DA SAÚDE

Psicologia: Relaxamento, Tranqüilidade, Centramento, Concentração, Harmonia, Criatividade, Imaginação, Lembrança e Interpretação dos sonhos.

Terapia Ocupacional e Fisioterapia: Motricidade, Coordenação Motora, Relaxamento, Concentração, Criatividade e Imaginação.

Medicina: Melhoramento de doenças causadas por tensão (enxaqueca, stress, do coração, pressão alta, alcoolismo, asma, bronquite, etc) ou por motricidade (reumatismo, artrite).


Esoterismo: Meditação, Contemplação, Lembrança e Interpretação dos sonhos, Harmonia.

BIBLIOGRAFIA

•O Segredo da Flor de Ouro. C. G. Jung e R. Wilhelm - Ed. Vozes.

•O Homem e Seus Símbolos. C. G. Jung - Ed. Nova Fronteira.

•Teoria e Prática da Mandala. G. Tucci - Ed. Pensamento.

•Mandalas. R Dahlke - Ed. Pensamento.

•Mandala. J. e M. Argüeles - Ed. Shambala.

•O Autoconhecimento através das Mandalas. Suzanne Fincher - Ed. Pensamento.

•Memórias, Sonnhos e Reflexões - C. G. Jung. Ed. Nova Fronteira.

•I-Ching. Livro das Mutações. R. Wilhelm. Ed. Pensamento.

•Mandalas. Celina Fioravanti - Ed. Pensamento.

•Revistas Planeta e Planeta Especial- Ed. Três.

A INFINITUDE VAZIA

Sem começo, sem fim
Sem passado, sem futuro
Um clarão de luz circunda o
mundo do espírito.
Esquecemo-nos uns dos outros, puros, silenciosos, vazios e onipotentes.
O vazio é atravessado pelo
brilho do coração celeste.
Lisa é a água do mar e a lua se espelha
em sua superfície.
Apagam-se as nuvens do espaço azul;
lúcidas cintilam as montanhas.
A consciência se dissolve em contemplação.
Solitário, repousa o disco da lua.

(Hui Ming Ging, O livro da Consciência e da Vida - 1729)


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