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Semana
do
Meio Ambiente chuvosa "esquenta" Pipa e Tibau do Sul
- Por Max Francisco
Exposição
de material reciclado. Foto: Max Francisco |
A
chuva que caiu na cidade no início do mês
de junho atrapalhou as atividades externas da Semana
do Meio Ambiente em Tibau do Sul, mas nem por isso,
o clima nas atividades internas foi menos quente. As
palestras e mesas redondas que fizeram parte da programação
foram marcadas por um clima de animosidade e cobrança
por parte da população
ao poder público que parece fazer vista grossa à situação
do Meio Ambiente no município. |
Por outro lado, este clima foi percebido apenas entre
os poucos presentes às atividades da semana, que em
sua maioria eram integrantes de organizações
não governamentais preocupados com a preservação
do local. O empresariado de Pipa e a população
não deram o ar da graça, talvez por causa das águas
que caíram durante o período. Mas de acordo com
Márcia Nascimento, integrante do Núcleo Ecológico
de Pipa, o motivo é outro: "Falta envolvimento da população
e do empresariado local. Apenas com a integração
dos moradores e do poder público é que conseguiremos
mudar esse quadro".
O
Nep (Núcleo Ecológico de Pipa) e o Gaia
abriram as atividades da semana com atividades para
os alunos das escolas de Pipa e Tibau do Sul. As crianças,
aliás, eram o público-alvo das
atividades desse ano, que teve como tema a reciclagem.
Cerca de 120 crianças participaram dos três
dias da gincana, em que uma das tarefas era o recolhimento
de material reciclável no município.
No mutirão das escolas, a escola de Umari, que
mais arrecadou objetos recicláveis, ganhou
kits de material escolar e didático cedido por
empresários
e órgãos locais. |
Crianças
participam das atividades na Praia do Centro.
Foto: Márcia Nascimento |
A
quantidade de material reciclável recolhida foi suficiente
para encher um caminhão. Foto: Mácia Nascimento |
Houve
também um mutirão de limpeza no rio Catú na
região entre Sibaúma e Barra do Cunhaú.
O material recolhido foi suficiente para encher um caminhão
e foi doado aos catadores que trabalham no Aterro Sanitário
do Município. O aterro sanitário inclusive
foi um motivo de preocupação para os
que o visitaram durante a semana.
A prefeitura cedeu o transporte
para a visitação, mas poucas pessoas compareceram.
De acordo com um técnico que esteve presente,
o aterro não estaria em condições
de funcionar, e nem poderia ser chamado de aterro sanitário,
devido às precárias condições
do local. |
Um passeio ciclístico com mais de 60 bicicletas concluiu as atividades
externas da semana do meio ambiente em Tibau do Sul, além das apresentações
culturais que aconteceram nas praças do município, e das visitas
ao santuário ecológico.
Palestras
com assuntos interessantes, mas falta público.
As
palestras foram o ponto alto das atividades,
abordando assuntos diversos relacionados ao meio
ambiente, como o tratamento de resíduos sólidos e a preservação da biodiversidade marinha, entre outros. Foram proferidas por profissionais especializados, e apesar da relevância
dos assuntos, poucos foram os que compareceram.
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O
prefeito discursou sobre o meio ambiente em Pipa.
Foto:
Max Francisco |
Na palestra de quarta-feira, por exemplo, representantes da
população, da sociedade civil e de entidades
ambientais de preservação estiveram reunidos
na Boate Calangos II em Pipa, para ouvir o que o poder público
tem a dizer sobre o assunto e debater sobre o futuro da natureza
e do turismo no local.
Nesse dia aconteceu a abertura oficial do seminário "Amarrando
Soluções", seminário que pretende discutir
e analisar a exploração do turismo e o problema
das ocupações irregulares na região. Desse
seminário seria produzido um documento que será entregue
ao poder público e servirá de base para a revisão
de suas ações.
O
seminário produziu um documento que servirá de base
para as ações do poder público. Foto: Max Francisco
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A
palestra foi iniciada pelo diretor-geral do Idema no
estado, o sr. Eugênio
Cunha, que destacou as atividades desenvolvidas pelo
Idema e esclareceu aos presentes qual é a real
função do órgão. Segundo
Cunha, entre as atividades mais importantes desenvolvidas
pelo órgão está a educação
ambiental, fator fundamental para o engajamento da
sociedade nessa causa tão importante. O diretor
geral do órgão
também esclareceu que outra função
do Idema é a elaboração de estudos
sócio-econômicos e não apenas as
ações ambientais. |
Após a palestra, a mesa foi composta
pelo prefeito do município, Valmir José da Costa,
o deputado estadual Fernando Mineiro, o representante da Câmara
Municipal de Tibau do Sul, Manuel Messias, e o representante
da sociedade civil de Pipa, o engenheiro Luiz Henrique Ribeiro.
O prefeito iniciou sua breve participação falando
sobre a importância da exploração consciente
do turismo no município e afirmou que Tibau do Sul,
atualmente recebe mais turistas que Natal, a capital do estado.
O
vereador Manuel Messias demonstrou apoio da câmara à causa ambiental e ratificou
que a Câmara Municipal está aberta ao povo
para reclamações e denúncias.
Outro palestrante foi o deputado estadual e presidente da Comissão de
Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do estado, o sr. Fernando Mineiro,
que afirmou que por volta de 30% das atividades turísticas do estado,
estão abaixo da Lagoa Guaraíras, e existe a necessidade da exploração
turística do interior do estado para evitar o turismo predatório
e o esgotamento da região sul do litoral potiguar. O deputado citou que
dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, apenas 14 tem conselho de
meio ambiente. |
O
público reunido na praça para o passeio ciclístico. Foto:
Márcia Nascimento |
Após as palestras, a noite terminou
com a participação
do público que questionou os representantes sobre as ações
tomadas para a preservação das falésias, praias, rios
e florestas do município. Os representantes se mostraram abertos ao
diálogo e defenderam suas gestões citando ações
como o embargue de obras ilegais, entre outras ações punitivas.
O
aterro sanitário do município.
Foto: Márcia Nascimento |
Mas o que se
percebeu com as palestras e todas as atividades da
Semana do Meio Ambiente no município é que
o que falta ainda são ações de vigilância
contra as ocupações e construções
irregulares, e não apenas a aplicação
de multas posteriores. Seria mais apropriado investir
em vigilância e fiscalização nos
locais a serem preservados. |
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