No
domingo dia 14 a praia de Cacimbinhas, em Tibau
do Sul, teve uma rotina diferente. Um grupo de pescadores
encontrou uma baleia morta com cerca de 10 metros
perto das barracas de praia, um fato pouco freqüente
por essas bandas. Pelo menos é o que constata
o Sr. Antônio Pequeno, morador antigo de Pipa.
Ele se recorda apenas outras quatro “visitas”
desse tipo de animal nos últimos 70 anos.
Talvez
tal “visita” fosse mais onírica
se a baleia tivesse sido encontrada viva. O biólogo
Rodrigo Sartorio acredita que a cachalote (Physeter
macrocefalus) já estivesse morta em mar aberto,
pois disse ter encontrado o animal na segunda, dia
15, “em estado já avançado de
decomposição, inclusive seus dentes
já tinha sido extraídos por artesãos
“ – um crime passível de penalização,
e “ainda atrapalha os estudos da espécie”
lembra intrigado o biólogo.
Rodrigo
pertence a equipe do projeto Pequenos Cetáceos
do Rio Grande do Norte, do departamento de Biologia
da UFRN. Seu grupo tem permissão de coletar
material da baleia para estudos posteriores, pois
esse tipo de mamífero é pouco conhecido
no meio científico. Daí a importância
de manter a integridade física do animal,
pois estudos dos dentes pode revelar a idade, os
ossos mostrarão o tamanho exato e até
o tipo de movimentação do animal dentro
d’água, órgãos estomacais
revelam hábitos alimentares e o material
genético pode até mesurar parentesco
com populações em outros mares. Por
isso a cachalote foi levada para a praia de Malembar
para ser enterrada. “Quem sabe daqui há
alguns anos seus ossos poderão ser expostos
em praça pública”, reitera Rodrigo.
::
Voltar