Surf
Texto de José Pedro Marcos, “Madi”, surfista português (férias 2003)
"A Pipa é sem dúvida um paraíso plantado na costa do Rio Grande do Norte. A proximidade ao Equador, a temperatura do ar e do mar (em torno de 25ºc) tornam este lugar aprazível para os que a visitam e faz com que a prática do surf seja um hábito comum para quem passa por aqui.
O lugar é de ondas constantes de 3 a 4 pés
que em dias excepcionais chegam a 6, 7, 8 pés.Daqui levarei na memória a lembrança de dois picos que me deram maior prazer de surfar: o “Lajão”, bem no centro - direita com fundo de pedra, bom na maré enchendo- e o
“Ponta do Madeiro”, também conhecido como praia do hotel Village
- também uma direita, esta com fundo de areia, que funciona na maré vazia enchendo.Aqui nos dias bons o Village proporciona aos surfistas ondas com aproximadamente 200 metros de extensão e muitas vezes com golfinhos ao nosso lado. Um tesão!
De vila de pescadores à referência de surf no Nordeste
O surf é forte, é mágico é transformador. É uma espécie de entidade sobrenatural. Com o seu estilo arrojado e dinâmico modifica como por encanto as pessoas que lhe abraçam. Imagine então o que pode fazer tal energia quando consegue concentrar pessoas de diferentes culturas num local paradisíaco...
Para responder essas e outras indagações o www.pipa.com.br entrevistou os surfistas veteranos
Caio Pereira e
Lucrécio de Araújo, ambos natalenses. Eles conheceram esse pico no final da década de 70, quando a Pipa era apenas uma vila de pescadores com casas de taipa.
“O movimento do surf na Pipa começou em 75 através da família Simonete” os primeiros veranistas daquela pacata Pipa, conta Lucrécio, que só começou a freqüentar a Pipa em 78 e não perdeu esse hábito até hoje.Ele lembra de quando Ronaldo Barreto (hoje um grande shapper e proprietário da Radical, considerada umas das melhores pranchas do nordeste), era um simples surfista que namorava Simone do clã
dos Simonetes.

Quando eles chegaram por aqui deparam-se com um paraíso ainda virgem, um mar com ondas de até 8 pés, e ainda formação perfeita devido ao fundo de pedra. Motivos suficientes para a rapaziada começar a freqüentar a cidade e trazer seus amigos- uma turma entre 10 a 15 surfistas -dentre eles Luruca e Felipe Dantas, vice campeão Brasileiro em 89.
Desbravar a natureza e um mar virgem descobrindo picos como Lajão, Sororoca e Abacateiro foi um prato cheio para aqueles natalenses, cearenses, permabucanos, paulistas, cariocas, que tinham fome de aventura. "Naquele tempo não tinha muito conforto... o banho era de cacimba... mas o povo daqui sempre foi liberal e nós fomos muito bem recebidos. A gente ficava nas varandas das casas de veraneio e várias vezes o pessoal liberava as chaves pra gente dormir nas casas" relembra Lucrécio. Toda essa mordomia, o visual alucinante de local ainda virgem e a descoberta do pico da Lajinha (proporciona a melhor onda da região, com possibilidade de tubos)

contribuiram para fixar a Pipa como o melhor pico de surf do litoral potiguar.
Pelo menos essa é a opinião de Caio. Ele veio pra Pipa em 78 e agora já é morador. Foi através do surf praticado aqui que ele viajou para os melhores points de ondas do Pacífico com o seu projeto "Rota Panamericana". Para ele o que torna a Pipa tão alucinante é a experiência de dropar ondas em laje de pedra. Na sua opinião quem domina as ondas daqui - principalmente as do Lajão - "já adquire segurança para surfar qualquer tipo de onda em qualquer lugar do mundo".
Que o diga os profissionais cariocas Rico de Souza (um dos surfistas brasileiros que mais viajou para o Hawai), Otávio e Mauro Pacheco (Campeão Brasileiro de 82) e o pernambucano Carlos Burle (Campeão Mundial de Ondas Grandes). Antes de brilhar em outras praias eles tiveram que remar - e muito!- em nossos mares.

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18/02/2004
   
 
   

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