"A
Pipa é sem dúvida um paraíso plantado
na costa do Rio Grande do Norte. A proximidade ao Equador,
a temperatura do ar e do mar (em torno de 25ºc) tornam
este lugar aprazível para os que a visitam e faz
com que a prática do surf seja um hábito comum
para quem passa por aqui.
O lugar é de ondas constantes de 3 a 4 pés
|
que
em dias excepcionais chegam a 6, 7, 8 pés.Daqui levarei
na memória a lembrança de dois picos que me
deram maior prazer de surfar: o “Lajão”,
bem no centro - direita com fundo de pedra, bom na maré
enchendo- e o
“Ponta do Madeiro”, também conhecido
como praia do hotel Village |
- também uma direita, esta com fundo de areia, que
funciona na maré vazia enchendo.Aqui nos dias bons
o Village proporciona aos surfistas ondas com aproximadamente
200 metros de extensão e muitas vezes com golfinhos
ao nosso lado. Um tesão!” |
O
surf é forte, é mágico é transformador.
É uma espécie de entidade sobrenatural. Com
o seu estilo arrojado e dinâmico modifica como por
encanto as pessoas que lhe abraçam. Imagine então
o que pode fazer tal energia quando consegue concentrar
pessoas de diferentes culturas num local paradisíaco...
Para responder essas e outras indagações o
www.pipa.com.br entrevistou os surfistas veteranos
Caio Pereira e
Lucrécio de Araújo, ambos natalenses. Eles
conheceram esse pico no final da década de 70, quando
a Pipa era apenas uma vila de pescadores com casas de taipa.
“O movimento do surf na Pipa começou em 75
através da família Simonete” os primeiros
veranistas daquela pacata Pipa, conta Lucrécio, que
só começou a freqüentar a Pipa em 78
e não perdeu esse hábito até hoje.Ele
lembra de quando Ronaldo Barreto (hoje um grande shapper
e proprietário da Radical, considerada umas das melhores
pranchas do nordeste), era um simples surfista que namorava
Simone do clã
dos Simonetes. |
Quando
eles chegaram por aqui deparam-se com um paraíso
ainda virgem, um mar com ondas de até 8 pés,
e ainda formação perfeita devido ao fundo
de pedra. Motivos suficientes para a rapaziada começar
a freqüentar a cidade e trazer seus amigos- uma turma
entre 10 a 15 surfistas -dentre eles Luruca e Felipe Dantas,
vice campeão Brasileiro em 89.
Desbravar a natureza e um mar virgem descobrindo picos
como Lajão, Sororoca e Abacateiro foi um prato
cheio para aqueles natalenses, cearenses, permabucanos,
paulistas, cariocas, que tinham fome de aventura. "Naquele
tempo não tinha muito conforto... o banho era de
cacimba... mas o povo daqui sempre foi liberal e nós
fomos muito bem recebidos. A gente ficava nas varandas
das casas de veraneio e várias vezes o pessoal
liberava as chaves pra gente dormir nas casas" relembra
Lucrécio. Toda essa mordomia, o visual alucinante
de local ainda virgem e a descoberta do pico da Lajinha
(proporciona a melhor onda da região, com possibilidade
de tubos) |
contribuiram para fixar a Pipa como o melhor pico de surf
do litoral potiguar.
Pelo menos essa é a opinião de Caio. Ele
veio pra Pipa em 78 e agora já é morador.
Foi através do surf praticado aqui que ele viajou
para os melhores points de ondas do Pacífico com
o seu projeto "Rota Panamericana". Para ele
o que torna a Pipa tão alucinante é a experiência
de dropar ondas em laje de pedra. Na sua opinião
quem domina as ondas daqui - principalmente as do Lajão
- "já adquire segurança para surfar
qualquer tipo de onda em qualquer lugar do mundo".
Que
o diga os profissionais cariocas Rico de Souza (um dos
surfistas brasileiros que mais viajou para o Hawai), Otávio
e Mauro Pacheco (Campeão Brasileiro de 82) e o
pernambucano Carlos Burle (Campeão Mundial de Ondas
Grandes). Antes de brilhar em outras praias eles tiveram
que remar - e muito!- em nossos mares. |