Artes
A Minha Linda Flor

Jardim tão lindo como o teu não há.
Jardim tão belo e cheio de flor.
Vim ver as flores tão delicadas
todas beijadas pelo Beija-Flor.

Mas foi em outro Jardim
Que eu arranjei
uma Rosa prá mim;
a minha Rosa é uma flor
nunca foi beijada
por um Beija-Flor


O Morro e a Língua

Praia da Pipa tem uma brisa tão fagueira,
se vê a linda barreira com a ponta para o Sul.
O povo dela é um povo forte e decente,
se vê também o mar valente
coberto de um céu azul.


A Praia do moleque é uma praia bendita,
se vê a moça bonita, abraçada com o rapaz.
Ali deitados, naquela areia tão linda
a vida é chupar a língua
língua vem e língua vai.


O Morro dos Amores é o mais lindo que há
a moça que vai pra lá melhorar a sua vida,
chegando em casa, coitadinha em desengano
quando é no meio do ano
se vê o tamanho da barriga.

O Peixe do Geraldo

Geraldo, velho pescador,
com calção todo rasgado,
lá na Praia do Moleque
achou um peixe encalhado.

Voltou à Praia da Pipa
veio chamar os camaradas.
A Luiz deu a cabeça
e a José deu a rabada;
a Maria deu os miúdos
e a Isabel a ossada;
Totinha levou um toro
e lavou em nove águas;
Veca levou um pedaço,
a mulher lhe rogou pragas;
Augusto levou as bochechas
prá comer uma torrada;
Tiago levou a língua
só prá dar uma chupada.
Coitadinho do Geraldo,
ficou sem peixe e sem nada

A Luz da Pipa

O povo da Pipa há muito dizia
e rogava praga que a luz não vinha.
Desperta Pipa do amor
avisa a teu povo que a luz chegou.

A luz chegou em Praia da Pipa
ficou bonita,
serviço bem feito;
iluminando esta terra querida
Deus dê muitos anos de vida
ao Governo e ao Prefeito.

O Roubo das Mangabas

Lá vem Beata
ela vem zangada
ela vem rogando praga
a quem robou sua mangaba.

Beata chegou,
no meio do salão
batia com os pés
e dava com as mãos.
- Me pague seu Joaquim, primeiro.
E o diabo leve
quem robou o meu dinheiro.

Seu Joaquim ouviu
Beata zangada
e a turma toda
caiu na gargalhada.

Olhando as Meninas

O meu ranchinho de paia
eu fiz na beira da Praia
olhando aquelas mocinhas
tomando banho e não têm saia.

Vendo caju, vendo côco,
vendo laranja e manga
olhando aquelas meninas
tomando banho de tanga
tem tantas louras bonitas
e aquelas lindas morenas
aquelas que a morte mata
e a gente chora de pena.


A Volta de Cristo

Se Cristo vier à Terra
nos encherá de alegria.
Os padres rezando Missa
e as freiras Ave-Maria
e os velhinos pedindo
prá baixar a caristia.


A Mulher Malvada

Se quer saber o que é mulher malvada
deixou o marido em casa
ele doente prá morrer.
Mas o vizinho dele teve compaixão
a porta botou no chão
depois lhe deu de comer.

Ele vive no mundo de meu Deus
e da mulher abandonado:
se ele não chorasse baixinho,
se não fosse seu vizinho
há muito era finado.

Borboleta Esverdeada

Borboleta esverdeada
é tão lindo a sua asa,
é tão belo o seu voar.
Boroboleta se eu pudesse,
o jardim que eu fizesse,
era só prá seu pousar.

Borboleta venha a mim,
venha olhar o meu jardim,
venha comigo falar.
Borboleta de coração,
você é rosa, eu sou botão,
venha só a mim beijar

A Água Encanada

O Governo e o Prefeito
botaram luz, fizeram estrada,
Escola e Posto médico
e tambem água encanada

As mulheres aqui da Pipa
só faltam morrer de risada.
Fica olhando uma prá outra
nós vamos lavar roupa
agora com agua encanada.

Quando for no fim do mês
o marido é quem paga
mas se ele não pagar
a água será cortada.

A Missão de Pedrinho

Meu Brasil velho estimado
um dia fosse encontrado
por Pedro Álvares Cabral
coberto de animal
não havia religião
mas veio pregar a doutrina
o Padre Cicero Romão.

Depois veio Frei Damião
pregando a Religião
dizendo Missa e Missão
aconselhando o Cristão
casando bonito e feio
e batizando os menininhos
mas quem não tomou conselho
só foi compadre Pedrinho.

Pedro foi à Cunhaú
àquela Santa Missão
do Padre Frei Damião
chegando lá se agastou,
seu povo ele retirou
pela beira da maré
homem, menino e mulher
apreciando aquelas dunas
tentou ir a Sibaúma
olhar Maria Pelé.

Pedro saiu pela praia
arrombou a casa de paia
puxou a velha na saia
escpoliu, pegou no pé.
-Respeite seu atrevido
sou uma veia sem marido
mas sou mãe de Samué.

O Telefone da Pipa

O Telefone da Pipa
é metido a safado
Na hora que ele se agasta
nem fala e nem dá recado.

Quando eu fui telefonar
eu falei com a mulher
ele tá desmantelado
será o que Deus quiser
Nem dá linha, nem esteio
nem vara, nem enxamé.

Se eu trabalhasse com essa peste
jogava dentro da maré
pra ele criar Afonso
também Nega e saberé
se a justiça me punisse
será o que Deus quiser.

O Bêbado

Se o mundo fosse flores
e a gente nunca morresse;
e o mar fosse cachaça
eu queria ser um peixe.
O Valor da Agricultura

Se você quiser saber
quanto custa a agricultura
encaibre uma exada de três libras
numa cabatã madura
e passe o dia de fome
trabalhando em terra dura
quando for com trinta dias
se acaba a criatura

A agricultura é boa
mas tá quase abandonada
vem o sol mata um bocado
a formiga faz a barba
vem o ladrão leva o resto
fica o agricultor sem nada.

Eu Vou Embora

Eu vou embora, meu bem, eu vou embora
eu vou embora e não vou lhe dizer:
eu vou embora, meu bem, eu vou embora,
arranjei outra amante melhor que você.

Eu partir dessa terra sorrindo
eu vou sumindo pra ninguém me ver
eu vou morar daqui bem distante
arranjei outra amante melhor que você.

Você brigava comigo todo dia
eu não tinha alegria
só faltava morrer;
Você mesmo a mim dizia:
- que era mais ruim,
eu me casei com você.

A Fonte do Terreiro

Lá no meu sítio
tem uma pequena cabana
aonde eu passo a semana
a vida toda a trabalhar.

De frete a ela
tem um jardim bem verdinho
aonde chegam passarinhos,
e ali começam a cantar
Vem a Curica, Periquito e Papagaio
saltando de galho em galho
e começam a conversar.

Tem um macaco
e tem um pequeno saguim
todos conversam prá mim
mais eu não sei adivinhar.

A noite vem a Curuja e o Tetéu
a lua iluminando o céu
é uma coisa de encantar
a água é fresca
lá na fonte do terreiro
aonde nasce um grande olheiro
que a vida dele é chorar.

Ao redor dele
eu fiz uma cacimbinha
ainda chegam as mocinhas
e ali vão se banhar
apanham água,
tomam banho e lavam roupas
agora tem um gostinho
do suvaco daquelas moças.

O Beijo Melado

Eu vi você
dançando na favela
e beijando ela.
E eu lhe falei:
- dê um beijo enxuto
se mele de cuspe
e manche a cara dela.
A Economia Brasileira

Eu agora vou falar
do comércio brasileiro
a mercadoria sumiu
multiplicou o dinheiro
muita gente passou mal
só fala agora em real
abandonou o cruzeiro.

Um Poeta Brasileiro

Sou poeta brasileiro
sem estudo e sem dinheiro
mas cheio de alegrias.
Quando estou desocupado
no caminho do roçado
faço as minhas poesias.

A Moça da Saia em Pedaço

Saí de casa prá dançar com meu amor
pra mostrart meu valor,
agarrado no seu braço
e cai na brincadeira
eu dancei a noite inteira
com a saia de pedaço.

Saí da rua de cima,
prá cumprim a minha sina,
dançar na rua de baixo.
Para saber eu quem sou
eu dançei com meu amor
com a saia de pedaço.

Na noite da lua cheia
eu dançei a noite inteira,
rua acima e rua abaixo.
Quando a festa terminou,
tinha dançado com meu amor,
com a saia de pedaço.

Em Busca do Meu Amor

Sai de casa de manhã bem cedo,
com tanto medo,
em busca do meu amor.
Foi falsidade,
uma infelicidade
o ônibus a levou.

Quamdo o ônibus partiu,
o meu pranto caiu,
comecei a chorar;
ainda hoje eu penso
acenei com o lenço,
ela não quis olhar.

Naquela hora
em que ela foi embora
levando o meu dinheiro.
Deixou as crinaças
e mandou lembranças
do Rio de Janeiro.

A Casinha do Sertão

Fiz uma casinha,
bem bonitinha, lá no meu sertão.
vive abandonada,
toda acabada,
mode o verão.

Gastei dinheiro,
fiz um barreiro, na beira da estrada.
Quem chegar bem cedo,
morre de sede
porque não tem água

No meu quintal
tinha um pé de pau
sí vivia verde.
Hoje não tem mais nada
existe só a galhada, ele morreu de sede.

Saí de lá
prá outro lugar,
prá não me acabar.
Mas o Pai Eterno
mandou o inverno,
tornei a voltar.

De longe eu via a minha casinha
não conheci, não!
Cheguei prá perto
estava coberta toda de melão.

O barreiro cheio
que só faltava derramar;
a terra molhada,
levei a enxada
pra trabalhar.

O Short da Menina

Menina pequena e bonita
eu quero que você dê sorte,
se quiser casa comigo
eu quero endireitar seu short.

Seu short está rasgado,
peço que não jogue no mato;
se quiser que eu ajeite seu short
eu sou o melhor alfaiate.

O seu short está rasgado
eu peço para endereitar;
já vi onde está descosido,
lá embaixo, no fundo do mar.

O Ladrão de Peixe

Tenho um Curral de pegar peixe
lá na Praia dos Golfinhos
bem juntinho do Curral
morava um cabra ruim
pega o peixe, mata e vende
não deixa nada prá mim.

O Dia do Casamento

Namorei tanto que me lembro ainda,
Foi com uma índia, lá no meu Pará.
Namorei tanto que casei com ela,
ó que india bela, não tem outra iguá.

No outro dia fui à Capela
me casei com ela. Aonde vou morar?
Sai com ela com tanto medo
armei a rede, lá no Jatobá.
passei o dia, ali deitado,
bem descansado. S;o a imaginar.
a meia noite houve um alvoroço,
a rede rasgou-se la no Jatobá.

A Sereia

Eu sou a grande Sereia
canto a noite inteira
minha linda canção.
Quem houve minha voz
me deseja
em frente da igreja
de São Sebastião.

Ó que noite de lua tão bela
mas como aquela
uma outra não há.
Sentado juntinho da Igreja
vendo a natureza
e olhando o mar.

Adeus, Praia da Pipa, eu vou embora.
Chegou a hora de me retirar.
Eu vou cantando
as saudades do amor,
espero o pescador
lá nsa ondas do mar.

O Fim da Festa

Fui à Festa da Pipa,
foi de São Sebastião!
Missa, novena e leilão,
houve até arrasta-pé;
tapioca, grude e bolo
houve banda de tijolo,
foi a mulher de Noé.

A Suplica

Meu Deus me levai para o Céu
me cubra com o seu véu,
lá perto de São Joaquim;
a minha lágrima cairia
e a ela eu contaria
todo o passado daqui.

Meu São Joaquim
a pessoa que eu mais gostava
trabalhava para ver meu fim.
Eu a entrego a Deus
e a Santa Margarida.
Verei ela arrependida
por ter falado mal de mim.

Meu São Joaquim,
meu Santo Padroeiro
a ela vod dê bem conselho
pra não falar mais tanto assim.

O Homem Que Namorou
Com a Porca de Angelina

Quando Deus andou no mundo
pregando a Religião
na casa de um cidadão
encontrou-se com um menino.
Grito grosso, grito fino
Jesus falando bonito,
retirando o espírito
com força de Oração.

Botou numa criação
de porco, porca e barrão;
cairam num barreirão
isso foi na Palestina.
Escapou um, veio pró Brasi
e vive namorando aqui
com a porca da Angelina.

Quando Você Vier à Pipa

Se você vier a Pipa
somente prá passear
Eu vou lhe dar um conselho
Se você quiser me escutar
Na Cabeça da Ladeira,
a Cigarreira Centrá
o atendimento é franco,
o dono dela é Branco,
fica de frente pra o mar!

Você prestrando atenção
Só ver os golfinhos pular
Se quiser andar embarcado
tem o Barco Malembar
Peço que não va sozinho
tem que chamar Geraldinho
que é pra poder Navegar.

Lá encima na Chapada
tem avião pra voar
Quando vier traga a mulher
tem pouso tem hotê
e tem forrô prá dançar.

A Pipa é cheia de alegria
da meia-noite pró dia
tem lingua prá se chupar
.

O Barco do Amaro

Quando eu saio em meu barco
pra um peixinho pegar
ouço um canto diferente,
um canto de admirar.

Essa Sereia que canta
os peixes moram com ela
e eu no meu barco a vela
a vida é bordejar

Esperando pelo vento
que me traga para o porto
nisso eu sinto grande gosto
de viver amando o mar

O home que ama o mar,
ama os peixes, a Sereia,
ama as pedras, ama a areia,
o porto de ancorar.

As Linhas de Neco

Neco, velho pescador,
das ondas do mar sagrado,
pesca sóia, pesca bagre,
camurim e saia rota.
São João levou uma linha,
São Pedro levou a Outra.

ANTÔNIO PEQUENO
(Rio Grande do Norte)


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Antônio Pequeno